"- I don't think I want this anymore -
As she drops her ring to the floor"
Ela:
É
bem assim que começa a minha história. Uma briga feia. Seis anos de
relacionamento jogados para o alto. Nem sempre fora assim, já tivemos bons
tempos, mas depois de aguentar as mentiras e manipulações dele, eu decidi cair
fora.
É
sempre uma decisão difícil acabar assim. Depois de tanta coisa construída,
tantos momentos de dedicação para que tudo desse certo. Eu deveria ter pensado
mais em mim, desde o começo. Mas vivi para um cara que não se importava com
meus reais sentimentos. E o que era amor transformou-se em uma prisão para mim.
Eu já não suportava mais estar perto dele, como se ele me sufocasse. Gostaria
de não ter começado isso.. tooo late.
Mas
fui boba em não sair antes. Tive a chance e fiquei presa neste relacionamento
de mentiras e competição. Sim, porque o fato de eu ser uma arquiteta bem
sucedida o incomodava. Ele, que ainda nem havia terminado a faculdade de
jornalismo, cada vez mais frio e estranho.
Então cansei. "Acho que não aguento mais isso", disse para mim
mesma enquanto jogava meu anel de noivado no chão. Peguei a mala, a coloquei em
cima da cama e rapidamente pus as minhas coisas dentro. Entrei no carro e
comecei a dirigir. Sem destino, apenas queria fugir de tudo aquilo e recomeçar
novamente.
"I deserve better, after all
I'll never let another tear drop fall"
Saí da cidade correndo. Em uma velocidade tão grande que, se a
polícia me visse, certamente me pararia. Lágrimas e sorrisos se confundiam na
minha face que estava triste a aliviada por ter finalizado aquilo. Mas iria ser
difícil. Um recomeço, depois de seis anos de noivado, sozinha outra vez. Eu nem
me lembrava mais como era estar sozinha. Mas a sensação de liberdade era
reconfortante. Poder fugir sem ter que dizer onde estou indo, sem precisar
ficar gostosona para alguém ou ter que brigar por coisas fúteis, como quem vai
dirigir...
Cheguei na capital eram três horas da tarde, mas o céu estava nublado.
Não choveria, mas também não seria uma explosão de calor. Só então me dei conta
de que havia dirigido quatro horas sem parar. Da minha cidade no interior do
estado até a capital no litoral eu não percebera o tempo passar. Nem planejara
estar ali, mas a estrada havia me levado àquela grande cidade.
Através da janela do meu carro eu via os grandes prédios que me lembravam
a grandiosidade daquela cidade. De um lado os arranha céus e de outro o oceano.
Quieto, calmo, como se estivesse me esperando para um mergulho. Sempre adorei o
mar e naquela tarde, ele estava particularmente convidativo. Mas não estava
azul, como de costume e, sim, cinzento e possivelmente gelado.
Procurei hotéis por toda a orla, mas todos estavam lotados.
Percebi uma grande movimentação na cidade. Alguma coisa estava acontecendo. Ao
tentar um último hotel um pouco mais longe da praia descobri o real motivo da
lotação dos hotéis. Haveria um show de Paul McCartney em dois dias e haviam
fans de todas as partes do país. Eu também era fan do Paul, mas não estava em
clima de show. Só queria me isolar e pensar na vida, tomar alguns goles de
alguma bebida forte e chorar pela minha mudança.
-
Acho que você poderá encontrar vaga no hotel Blue Sea, fica em Boa Viajem, de
frente para o mar. Ele é caro, mas acho que só haverá quartos lá, pois os fans
já gastaram muito com os ingressos, não vão pagar hotel caro. - disse-me a
funcionária de um dos hotéis lotados.
"Bem, acho que mereço uma hospedagem de luxo depois de tudo o que
aconteceu.", pensei.
Cheguei no Blue Sea e lá realmente havia vagas. Pedi um quarto de frente
para o mar, o que me custou uma fortuna, e subi para deixar minha bagagem. Não
sabia quanto tempo ficaria por lá, mas esperava que os fans de McCartney fossem
embora assim que acabasse o show, para que eu pudesse ir para um hotel mais
barato.
Ali
mesmo, no hotel fui para o bar encher a cara. Havia "muito sangue no meu
álcool", eu precisava me desequilibrar um pouco.Estive equilibrada demais
nestes seis anos. Ainda não havia escurecido quando deixei o hotel e saí
cambaleando em direção à praia. Acho que, depois disso, fiquei muito bêbada, só
fui me lembrar dos acontecimentos dias depois.
Chegando na praia me sentei em um quiosque e pedi mais cervejas e wisky. Uma
boa caipirinha completou a minha mistura, que estava apenas começando. O mar
estava silencioso, mas a praia não. Parece que os fans de Paul McCartney
estavam se bronzeando numa praia cinza porque o calçadão estava lotado.
Observei um grupo de amigos que estavam jogando poker ou alguma coisa com
cartas, não me lembro muito bem. Eram cinco, mas um deles havia se afastado do
grupo e sentado em uma outra mesa, aparentemente brigando com o celular. Talvez
sua namorada estivesse na linha.
Completamente bêbada e sem saber o que estava fazendo, me levantei e fui
na direção do carinha. Loiro, alto e em boa forma. Talvez eu devesse seguir a
vida e fazer sexo loucamente com alguém.
-
Com licença, posso me sentar aqui? - perguntei tropeçando na voz.
Ele me
olhou um pouco assustado, mas ao verificar que eu era só uma bêbada inofensiva,
respondeu com um sorriso e um sotaque gringo.
-
Sim.
Se
eu estivesse sóbria, certamente eu cairia para trás, mas nem percebi quem
estava bem na minha frente.
-
Percebi que você está muito sozinho, honey - disse eu em inglês, já percebendo
que ele não era brasileiro. Me surpreende como mesmo bêbada, meu inglês era
muito bom. - Então, vim alegrar o seu dia. Vamos, você não precisa ficar
jogando poker se não quiser.
Ele
ainda parecia um pouco assustado, mas me deu um outro sorriso e pude ver o
quanto seus olhos eram azuis. Percebi que sua presença naquela praia havia
sugado o azul da água do mar para os seus olhos.
Ele:
Loira, bem atraente, seios
fartos, bunda grande. Foi a primeira coisa que eu percebi quando ela se
aproximou. Claro, seu sorriso abobalhado indicava que ela estava bêbada, mas
ainda de pé. Achei estranho logo no início. Geralmente as pessoas se aproximam
de mim para pedir autógrafos e não para dividir uma mesa.
Os brasileiros são estranhos.
Talvez ela estivesse bêbada demais para me reconhecer ou realmente nem soubesse
quem eu sou. Não deu indícios de ser uma fan, parecia ser apenas uma bêbada
querendo puxar papo. Achei legal e entrei na dela. O jogo de Poker estava chato
mesmo. AJ havia ganhado quatro partidas seguidas e eu estava ficando quase sem
dinheiro.
- Nick. – Me apresentei.
- Alice. – disse-me com um
sorriso bobo. Eu devo confessar que, mesmo alterada pelo álcool, o inglês dela
era bom. – Mas hoje você pode me chamar do que você quiser. Não me importo
mais.
Eu ri da situação, mas não
estava compreendendo muita coisa do que ela estava falando. Gostei da sua
companhia e só.
- Sabe, você é bonitão. Eu
estou hospedada naquele hotel ali – Alice apontou para o Blue Sea,
curiosamente, o hotel em que nós, os Backstreet boys estávamos hospedados. – Se
quiser, tenho uma suíte enorme e uma cama bem vazia neste exato momento.
- Está me assediando? –
perguntei.
- Claro que estou. – respondeu
ela de forma divertida. – Não é todo o dia que eu acabo um relacionamento de
seis anos e encontro um cara gostoso como você para me fazer companhia.
Sinceramente, eu não sabia se
ria da situação ou se fugia. Ela estava mesmo bêbada, seu bafo de cana chegava
longe, mas, ao mesmo tempo, eu queria ver onde aquela situação iria parar.
- Ok, você venceu. Vou ficar
aqui na praia mesmo com você. Não quero te deixar sozinho, pensa que não
reparei que você estava perdendo o jogo? O barbudão está levando todas.
É, ela parecia não nos
reconhecer mesmo. AJ agora era “O Barbudão”...
- Então, de onde você é mesmo?
- Jamestown, USA. Mas vivi um
bom tempo na Flórida. – respondi.
- É, você me parece o tipo de
cara que gosta de praia.
- Gosto sim. Estou com meus
amigos aqui em uma semana de “férias”. Só temos alguns compromissos, mas nada
muito complicado. – Evitei falar das entrevistas que iríamos dar, não queria que
ela soubesse quem eu era. Sempre fui desconfiado com as atitudes de quem se
aproximava de mim. Quase sempre era pela fama e o dinheiro.
- E a sua namorada deixa você
sozinho em uma praia com uma loira gostosa como eu? – Não pude deixar de rir
dessa frase dela. Convencida e bêbada... o que mais ela teria de interessante?
- Na verdade, ela está
trabalhando em Los Angeles, não pôde vir. – senti um olhar de decepção ao me
ouvir falar da minha namorada.
- Então é por isso que você não
quer ir para o meu quarto no hotel. – ela concluiu.
- Exatamente. – eu disse com um
gesto afirmativo na cabeça.
- Ok, então vamos ser amigos. Eu
sou gostosa, mas sou muito mais divertida.
Rimos alto. Era impressionante
como o sorriso dela era bonito. Meigo e bobo, meio exagerado no tom, talvez por
causa da bebida.
- Ouvi você dizer que terminou
um relacionamento? – perguntei com cautela.
Ela abaixou os olhos e, por um
instante, vi uma sombra de tristeza perpassar o seu rosto.
- Sinto muito. Eu não queria me
intrometer. – falei sem jeito.
- Mas já se intrometeu. – disse
com um pouco de grosseria e voltou a ficar triste. – Enfim, não precisa sentir
muito, ele não valia grande coisa e fui eu que terminei tudo.
Ainda assim fiquei sem graça e
permaneci quieto. Ficamos uns minutos em silêncio até que ela me puxou pelo
braço em direção à praia. Caminhamos um pouco tontos e a minha pele se arrepiou
quando senti os meus pés tocarem a água do mar. Talvez Alice não sentisse o
quanto a água estava fria devido ao álcool, mas eu não havia bebido muito,
podia sentir perfeitamente o frio que estava fazendo. Para a minha sorte, ela
desistiu de jogar-se na água e molhou apenas os pés. Brincamos um pouco de
chutar água um no outro até que ouvi o Howie me chamando da areia.
- Nick, estamos indo pro hotel,
vamos jantar e logo estaremos na boate no centro da cidade. Qualquer coisa,
liga pra gente, ok? O Kevin vai ficar no hotel com a Chris.
- Tudo bem. Vou ficar aqui com
essa louca mesmo. – gritei. Por sorte, ela não ouviu.
Howie sorriu e saiu em direção
aos outros rapazes. Já estava quase escuro. Com um pouco de dificuldade, levei
Alice de volta ao quiosque e combinamos de sair para jantar em algum lugar.
Depois de mais alguns goles de Wisky, saímos para um restaurante chinês ali
perto. Descobri que Alice adora comida chinesa, mas odeia a China.
- Os chineses são todos iguais.
Acho que se eu estivesse lá, confundiria todas as pessoas.
- Já estive lá e posso dizer
que eles são diferentes sim. Depois que você se acostuma, consegue
distingui-los.
- Vamos para a China, então. Aí
você me mostra.
- Agora? – perguntei brincando.
- Não, seu idiota, um dia se a
gente voltar a se ver. Gostei de você, daria um ótimo amigo de festas. – disse
isso me abraçando. Estávamos saindo do restaurante e nessa hora, um fotógrafo
clicou nosso abraço de bêbados. Pensei rapidamente na repercussão que essa foto
teria no dia seguinte, mas decidi não me preocupar. A Lauren, minha namorada estava
longe e certamente não leria as revistas brasileiras. E, além do mais, Alice
era só uma moça, que provavelmente eu não veria mais.
Ainda tentando fugir do
fotógrafo, chamei um taxi que passava no momento e entramos.
- Para onde vamos? – perguntou
Alice. – Você não está me sequestrando, está?
O taxista olhou para trás com
cara de intimidador.
- Claro que não, querida. –
disfarcei – estamos indo pro centro da cidade, está havendo uma festa lá.
Não estávamos vestidos para uma
festa, mas ainda assim conseguimos entrar no estabelecimento sem sermos
barrados. Era uma festa de comemoração dos 20 anos dos Backstreet boys, uma das
tantas festas realizadas pelo mundo. Realmente me impressiona o fato de que
Alice ainda não havia percebido quem eu sou.
AJ estava próximo à porta com
Rochelle e logo veio me cumprimentar.
- Oi Barbudão do Poker. – disse
Alice.
AJ sorriu e eu o puxei para um
canto.
- Ela ainda está bêbada. –
falei animado. – Mas é uma garota legal.
Em uma questão de segundos, só
o tempo em que eu falara com o AJ, Alice já estava com uma taça de Vodka a mão
e dançava no meio da pista um pouco desengonçada, mas, ainda assim, sensual.
- Nick, você arranja cada
figura. – disse o Brian se aproximando. - Se a Leigh não estivesse aqui eu iria
dançar com ela.
De fato, ela dançava feito uma
louca e muita gente no salão aplaudia. Sabe aqueles aplausos que a gente dá
quando alguém está pagando mico? Enfim, na tentativa de diminuir a vergonha do
momento, fui até a pista de dança e acompanhei-a em seus passos desconexos.
Dançamos e bebemos a noite inteira. Dei também algumas entrevistas sem que ela
percebesse e, pouco depois das 2h da manhã os Boys decidiram que iriam embora.
Eu acabara de sair de uma entrevista
e percebi que Alice estava deitada em um grande sofá no canto mais escuro do
salão, adormecida. Finalmente o álcool a havia derrubado. Eu não gostaria de
estar na pele dela no dia seguinte. Por sorte ela havia me dito em qual hotel
estava hospedada. Fui até ela, a coloquei nos meus braços e acompanhei os boys
em um dos carros da nossa produção de volta ao hotel.
Ao chegar ao Blue Sea não foi
difícil encontrar o quarto de Alice. O recepcionista me ajudou a encontrar o
corredor onde ela estava hospedada e, com ela nos braços percorri o caminho.
Abri a porta de seu quarto e entrei cuidadosamente para não bater em nada, pois
ainda estava escuro.
Era um quarto luxuoso. Maior do
que o que os Backstreet boys estavam hospedados. Tinha uma varanda e uma mesa
com velas. Coloquei-a na cama, tirei suas sandálias e a cobri com o lençol
macio que estava sobre a cama. Liguei o abajur na mesinha ao lado da cama e,
pela primeira vez pude reparar na beleza de seu rosto. Não seria problema
nenhum ter vindo fazer sexo com ela quando ela me chamou. Se não fosse a
Lauren. Mas acho que não teria sido a mesma coisa. Gostei da sua companhia. Era
mesmo divertida, feliz apesar de ter sofrido recentemente.
Conversamos muito e ela me
contara que simplesmente fugiu da sua cidade em direção à capital. Disse que o
destino queria que ela me conhecesse, mesmo que nunca mais nos víssemos.
Observei seus cabelos pintados de loiro e o seu perfume atraente, os sinais da
idade em seu rosto, suas mãos pequenas e unhas com tamanhos desiguais. Ela não
era grande como a Lauren, mas sim, pequena e delicada, a pele branca bronzeada
reluzia à luz amarelada da lâmpada e um ronco me despertou para que eu me
retirasse do quarto. Sim, ela roncou. Não um ronco assustador, mas ainda assim,
um ronco audível. Dei um sorriso debochando de seu roncar, acrescentei um beijo
em sua testa e sai do quarto na ponta dos pés para não acordá-la.
Ela:
”Oh, meu Deus! Como eu vim
parar aqui?”, pensei assim que abri os meus olhos na manhã seguinte.
Eu estava deitada na cama do
quarto do hotel em que me hospedara, mas não lembrava como havia chegado até
ali. Minha cabeça girava e doía horrores, e eu simplesmente não conseguia me
lembrar do que havia acontecido na noite passada. Lembrava de ter deixado o
hotel já bêbada, mas como eu havia retornado? Não era possível que nunca
tivesse saído do hotel, eu lembrava da água do mar batendo nos meus pés e
sentia que estive muito feliz na noite anterior, mas como poderia ser assim?
Eu acabara um relacionamento,
bebera e simplesmente acordara no quarto do hotel sem saber o que havia feito
horas antes! Olhei para o relógio, eram 11h da manhã e eu precisava de um
remédio para a dor na minha cabeça.
Me sentei na cama, pude
perceber que o meu braço esquerdo estava dormente. Isso só acontece quando eu
bebo Vodka. Mas não me lembrava de ter bebido isso.
- Oh, meu Deus, e se eu fiz
alguma coisa muito errada ontem? E se eu for presa! – exclamei. Provavelmente o
recepcionista do hotel saberia me explicar alguma coisa.
Tomei um banho apressado, troquei
minha roupa, aparentemente suja de cachaça e desci correndo para a entrada do
hotel.
Uma moça bem vestida estava na
recepção e não tardei a perguntar-lhe:
- Bom dia, você poderia me
dizer como eu cheguei no hotel ontem à noite?
- Como? – ela perguntou aparentemente
sem compreender.
- É o seguinte, eu bebi ontem à
noite, saí do hotel, mas não me recordo de ter voltado para cá. Você não
saberia me dizer como eu consegui encontrar o meu quarto?
- Desculpe senhora, mas o
recepcionista do turno da noite saiu já faz algum tempo, eu não tenho essas
informações. Quem sabe à noite a senhora possa conversar com ele.
Assenti com a cabeça e me
dirigi para a rua. O sol estava forte e meus olhos arderam com a claridade
fazendo com que minha cabeça faiscasse de dor.
Poderia resolver isso mais
tarde. Minha prioridade agora era encontrar uma farmácia para comprar um
remédio. Caminhei apressadamente pelo calçadão da praia e logo estava com umas
cápsulas de alguma coisa para dor de cabeça. Andava sem prestar atenção no
caminho, mas uma coisa me chamou a atenção.
Em uma banca de jornais, na
primeira página de uma revista de fofoca havia uma fotografia que me intrigou a
ponto de eu me aproximar para enxerga-la melhor. Era o cantor Nick Carter da
boy band que eu simplesmente adorava ao lado de uma loira em um abraço bem
ousado. Fiquei boquiaberta em saber que o Nick estava na cidade. Quem sabe eu
poderia encontrar com ele por aí!
Abri a revista e olhei a
matéria que dizia que os Backstreet Boys haviam vindo ao Brasil divulgar seu
novo álbum e que o Nick não perdera tempo em colocar chifres em sua namorada
Lauren. Ele havia encontrado a tal loira na praia e a levado para uma festa depois
de jantarem em um restaurante chinês. Tadinha da Lauren!
O senhor da banca de revistas
aproximou-se de mim e, por trás, apontando para a foto, exclamou:
- É você! – disse com uma
expressão de assombro.
Fiquei sem entender direito o
que ele queria dizer até que olhei atentamente para a loira que estava ao lado
do Nick.
Ela tinha mais ou menos o meu
tipo, roupas bem parecidas com as que eu usara ontem, e tinha uma garrafa de
alguma bebida a tiracolo. Meu Deus, observei
espantada, ela é igual a mim!
Mas ainda era difícil acreditar que eu tivesse estado
ao lado do Nick Carter na noite anterior. E eu não me lembrava de Nada, nada! Não, com certeza não era eu.
Provavelmente eu havia voltado sozinha para o hotel e adormecera. Eu não
estivera com o Nick, seria sorte demais e praticamente impossível. Aquela era
só uma garota muito parecida comigo e com os mesmos gostos de moda. Sortuda!
Ainda em pânico, comprei a
revista e caminhei de volta ao hotel e me tranquei no quarto. O que aquela foto
significava? Por que eu não conseguia lembrar de absolutamente nada? Havia algo
de muito estranho nisso tudo.
Estava batendo a minha testa na
parede buscando ativar minha memória quando alguém bateu na porta do meu
quarto. Ainda nervosa me apressei a abrir.
- Bom dia Alice. Vim ver como
você está.
Paralisei. Ele era mais alto do
que nas fotos ou na TV, mais gato e tinha os olhos mais azuis que eu já tinha
visto. Não podia ser o Nick, não mesmo. Apesar de falar inglês e possuir uma
voz que eu conhecia melhor do que ninguém, não podia ser ele. Ali, no meu
quarto, perguntando como eu estava.
Permaneci alguns segundos em
silêncio tentando compreender o que estava acontecendo e perguntei:
- Quem é você e por que quer
saber se estou bem?
Ele deu uma risada alta e sexy.
- Ontem à noite você havia
desmaiado de sono por causa da bebida, eu trouxe alguns comprimidos, achei que
sua cabeça iria me agradecer.
Fosse quem fosse, ele sabia o
que tinha acontecido na noite anterior.
- Como eu voltei para casa? –
perguntei.
- Eu trouxe você, por sorte nós estamos
hospedados no mesmo hotel.
Corri em direção à revista
enquanto ele entrava no quarto e fechava a porta. Joguei a revista nos braços
dele.
- É você nessa foto? –
perguntei.
- Sim, sou eu... e você ao meu
lado. Você não lembra de nada? – senti certa frustração em seu rosto quando eu
confirmei com a cabeça. – Não dê ouvidos a eles, não estou traindo a Lauren,
apenas nos divertimos ontem.
Arregalei os olhos:
- A gente fez sexo?
- Não. – ele sorriu – apenas saímos
para beber e curar suas dores do coração provocadas pelo seu ex. Mas você
realmente exagerou na dose e acabou capotando de sono.
Fiz uma cara de alívio quando
ele falou que não tínhamos feito sexo. A verdade é que eu adoraria que ele
tivesse dito que sim. Mas escondi o meu desapontamento.
Ele:
Era impressionante que ela não conseguisse se lembrar de nada. Aquela
havia sido uma das noites mais felizes da minha vida. Longe das drogas e da
irresponsabilidade adolescente, eu podia sentir e aproveitar muito mais o
momento. E curti cada palavra, cada passo que demos na noite anterior.
Queria que ela também
lembrasse. Também sentisse, como eu sentia. Mas talvez fosse melhor assim, ela
é o tipo perigoso de garota que consegue me conquistar com facilidade. Ousada,
verdadeira, gata. O problema é que eu imaginava quais outras qualidades ela
possuía e estava louco para conhece-las.
- Nick Carter. – me apresentei
estendendo a mão novamente.
- Alice – respondeu ela um
pouco assustada.
Alice estava realmente
perturbada, imagino como deve ser você sair com um cara e não se lembrar dele.
Ainda mais um cara famoso.
- Nick Carter, não. Não pode
ser. Você não é um Backstreet boy. – ela resmungou baixinho.
- Sou sim. – enfrentei sua
negação. Já havia visto centenas de fãs negarem a minha presença ao seu lado,
como se fosse difícil acreditar.
- Mas os Backstreet Boys estão
viajando pelo mundo para divulgar seu novo álbum, In a World like this.
- Parece que você conhece um
pouco sobre nós. Não esqueça que o seu país faz parte dessa “viajem pelo mundo”.
Ela deitou-se na cama de bruços
e eu me lembrei da noite passada, enquanto a cobria com o lençol e admirava seu
rosto. Ainda estava belo, mas um pouco inchado, como o rosto de quem não dorme à
dias.
Se eu pudesse fazê-la lembrar....
- Estaremos
fazendo uma viajem para Fernando de Noronha em um barco com alguns jornalistas,
amigos e fãs... se você quiser, pode vir conosco. Eu adoraria a sua companhia.
Ela permaneceu em silêncio.
- O barco sai às 15h à sudeste
da praia, onde fica o porto. – ela ergueu-se e falou com mais calma.
- Obrigada pelos remédios, eu
realmente vou precisar. Desculpe-me por não conseguir me lembrar de nada, vou
descansar um pouco e, se conseguir fôlego, acompanho vocês.
Me deu um sorriso que fez meus
pulmões ficarem sem ar e me retirei do quarto desejando que ela aparecesse para
a viajem.
Seria uma viajem de um dia e
uma noite. Voltaríamos na manhã seguinte. Eu iria dar algumas entrevistas na
ilha e haveria mais uma festa. Tinha medo de que ela não fosse, mas acreditava
que ela apareceria.
Eram quase três horas quando
chegamos ao porto. Eu olhava para trás ansioso esperando que ela aparecesse.
Ela, porém não apareceu. Um enorme barco chegou, tinha dois andares e estava
cheio de jornalistas. Tivemos que embarcar e logo fui maquiado e vestido para
dar as entrevistas. Tive medo de que quando eu retornasse para Recife, Alice
tivesse ido embora.
- Nick, eu preciso conversar
com você. – Howie me procurou em um dos intervalos das entrevistas.
Fez sinal para que eu o
seguisse até a parte de trás do barco que estava mais vazia. Não demorou muito
para eu perceber que Alice estava no barco, sentada, de costas para nós
admirando a vista do oceano. Howie piscou os olhos para mim e me deu um sorriso
sapeca.
Não era difícil perceber como
eu estava radiante agora. Meu humor mudou da água para o vinho e logo me
aproximei de Alice, sussurrando em seu ouvido:
- Está se escondendo?
- Estou sim. – ela me respondeu
– o barco está cheio de fotógrafos, não quero chamar a atenção. Por isso não
falei com você antes. Sweet D. e sua esposa me ajudaram a entrar no barco. –
Alice sorriu e eu pude perceber que sua aparência estava muito melhor do que
pela manhã.
- Eles não vão ficar na ilha,
voltarão assim que aportarmos. Estou feliz que tenha vindo. O Howie fez bem em
manter você em segredo. Os jornalistas gostam de inventar histórias.
Não me impressionei com o fato
de que o Howie estava me ajudando mais uma vez. Ele era realmente um grande
amigo, depois de escrever o prefácio do meu livro nossa relação se estreitou
ainda mais. Ele me compreendia, apesar de aguentar as minhas brincadeiras
pueris.
Contei-lhe sobre tudo que havia
acontecido na noite anterior e ele tinha se divertido com as minhas histórias.
Porém me pediu para tomar cuidado, pois não queria ver as pessoas magoadas por minha
causa. Óbvio que ele falava da Lauren, mas eu lhe garanti que Alice era só uma
pessoa legal. Alguém que valia a pena conhecer. Porém, intimamente eu sentia receio de confundir as coisas e acabar me apaixonando.
Continua...
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